quinta-feira, 1 de outubro de 2020

HELMINTOSES


Os Helmintos

São organismos vivos conhecidos popularmente como vermes, pertencentes a classe dos Nematodas. Sua população gira em torno de 500 mil espécies. Eles parasitam plantas, moluscos, artrópodes e vertebrados. Muitos de vida livre em solo e água.



As principais doenças causadas por esses helmintos são: 

  • Esquistossomose;
  • Teníase/Cisticercose;
  • Ascaridíase;
  • Ancilostomíase;
  • Enterobíase/Oxiurose;
  • Tricuríase;
Os helmintos são um grupo muito numeroso que existe de forma livre e parasitária. Se constituem num problema de saúde pública em diversas partes do mundo e sua ocorrência está associada geralmente a condições precárias de saneamento e saúde. No Brasil, essa ocorrência varia de acordo com cada região, sendo que as características para isso, sejam semelhantes.

Os sintomas mais comuns são diarreia, dor abdominal, mal estar geral e fraqueza, podendo em alguns casos perceber sangramento através das fezes (Ancilóstomos). O tratamento é feito geralmente por anti-helmínticos, chegando há caso cirúrgico quando caso grave.

Em uma pesquisa realizada pela Fundação Oswaldo Cruz- FIOCRUZ em 2018, com o intuito de conhecer a realidade das helmatoses no Brasil, foram examinados (exames de fezes) 197.564 escolares residentes em 521 municípios, ou seja, 96,1% do planejado, nas 27 Unidades de Federação e no Distrito Federal. Trarei aqui, alguns dados que considero mais relevantes, já que a pesquisa é muito extensa.

Dentre os estados observados, os maiores percentuais para a esquistossomose foram apresentados para as macrorregiões Nordeste (1,27%) e Sudeste (2,35%). Na macrorregião Norte, a positividade (0,01%); Centro-Oeste (0,02%) e na Sul, nenhum caso foi diagnosticado. O pesquisador salienta que nos estados de Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul à adesão a pesquisa foi muito baixa, o que compromete os resultados dos mesmos.

Sobre os ancilostomídeos as maiores taxas foram encontradas na região Norte com Pará (7,21%), Tocantins (6,06%) e Amazonas (3,14%). Nos outros estados desta região, as taxas ficaram em torno de 1%. Na região Nordeste, os estados com maior positividade foram o Maranhão (15,79%), Sergipe (6,62%), Paraíba (5,09%) e Bahia (4,23%). Nos outros estados desta região, a positividade ficou abaixo de 2%. No resto do país, a proporção de positivos ficou abaixo de 1%, sendo que do Rio de Janeiro até o Rio Grande do Sul, esta proporção foi de 0,5%.

A distribuição da ascaridíase e tricuríase guardam semelhança. Foram encontrados 11.531 escolares com Ascaris lumbricoides, ou seja, 6,00% (IC95% - 5,05 a 6,96). Nas regiões Norte e Nordeste foram encontradas as maiores taxas de positividade: Amazonas (19,14%), Maranhão (17,49%), Alagoas (14,26%), Sergipe (12,86%) e Pará (11,78%). Nos outros estados destas regiões, a positividade girou em torno de 5%, com exceção da Roraima (0,71%) e Rondônia (0,88%). No Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina em torno de 5%, em Minas Gerais 1,43% e, no Espírito Santo 2,73%.

Medidas preventivas são ainda a melhor forma de evitar o contágio por esses parasitas. Simples atitudes de higiene como lavar bem as mãos e os alimentos que consumimos in natura ajudam a manter o indivíduo longe de doenças provocadas por esses parasitas. Ainda, evitar contato com águas contaminadas, pois pode ocorrer infecção por ingestão ou mesmo cutânea por um desses grupos.

Entretanto, existe uma dimensão coletiva que é da responsabilidade do poder público em desenvolver infraestrutura de saneamento básico como rede de esgotos, água tratada e locais adequados para o descarte de resíduos. Isso tudo deve ser possibilitado concomitantemente com um processo de educação e saúde para toda a população. 

Apesar da região nordeste estar entre as regiões com maiores incidências de helmatoses, verifiquei com entusiasmo que o estado do Ceará não ter sido notificado com incidências representativas. Aliás, não encontrei citação do Ceará em nenhum dos casos identificados.




 

 

 

 

Referências

Katz, Naftale. Inquérito Nacional de Prevalência da Esquistossomose mansoni e Geo-helmintoses/Naftale Katz. – Belo Horizonte: CPqRR, 2018. Disponível em:

MELLO, Dalva A. et al . Helmintoses intestinais: I - Conhecimentos, atitudes e percepção da população. Rev. Saúde Pública,  São Paulo ,  v. 22, n. 2, p. 140-149,  Apr.  1988 .   Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-89101988000200010&lng=en&nrm=iso>. access on  01  Oct.  2020.  http://dx.doi.org/10.1590/S0034-89101988000200010.                                                                                        

MUNOZ, Suzana Segura; FERNANDEZ, Ana Paula Morais. Principais doenças causadas por helmintos. Licenciatura em Ciências, USP. 2012. Disponível em: https://midia.atp.usp.br/plc/plc0501/impressos/plc0501_07.pdf